Poesia

Soneto da Indiferença

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Não compreendo tamanho desassossego.
Está tudo tão bem cuidado, por inteiro.
Cantemos todos. Viva o povo brasileiro.
Sorria e me dê um abraço, meu nego.

Vamos curtir um samba, pegar uma praia,
Viver a vida despreocupadamente,
deixar isso pra lá. Vamos cuidar da gente.
O resto é resto, cada um com sua laia.

Tudo funciona tão bem, tão regularmente.
Tenho fé: meu time vai brilhar no domingo e
vou tomar uma gelada no bar em frente.

Viva a televisão, viva a democracia.
Vou vivendo, e de alegria, não tenho um pingo.
Vou vivendo aqui, sem graça, por mais que eu ria.

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