A solidão é como mulher:
às vezes, não está onde se quer,
tanto melhor quanto menos se souber.
Há dias em que é macia;
em outros, é áspera, arredia.
Há noites em que é leve, quase voa;
em outras, pesa, maltrata, magoa.
De madrugada, pode ser quente e úmida
como a amante na penumbra.
Pode ser diáfana, tão sutil
que mal se vislumbra seu perfil.
Às vezes, nos leva docemente para a cama,
como uma mulher faria;
em outras, traz o orvalho da madrugada
e, possivelmente, uma pneumonia.
Não é à toa que a solidão é feminina,
às vezes, cruel como uma assassina;
às vezes, alegre como festa junina.
Conversa
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