Poesia

Soneto da Memória

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Certa manhã, adentrei a noite do tempo.
Caminhei para trás, chorei, corri veredas.
Lambi feridas, gosto de frutas azedas.
Comi, bebi e vomitei. Perdi o senso.

Lamentei loucuras, gritei e me arrependi.
Fustiguei minha dor e lancetei o abscesso.
Proferi blasfêmias e me vi possesso.
Achei que nunca mais voltaria a sorrir.

Cheguei às profundezas. Viagem sem tino.
Remoí as tristezas; valores, perdi!
Sofri! Entretanto, retornei mais ladino.

Vida passou! Não se pode reconstruir,
nem o mais inocente sonho de menino.
Viver é o hoje, o agora e o aqui!

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