A jornada solitária da mente.
De todos os atos humanos, “PENSAR” talvez seja o mais solene, o mais escondido nos recantos da mente e da imaginação; e por isso, é o que temos de mais íntimo e solitário. Apesar de quieto e silencioso, esse ato simples contém uma complexa mistura de tudo que compõe o universo, sensível ou não. Parece uma abstração absoluta e inquestionável, por outro lado, também parece a única coisa concreta que temos.
Pensar é um processo biológico desconhecido, mas também é sonho e imaginação, dúvida e inquietação. Nós podemos não saber, exatamente, o que é o pensamento, mas “PENSANDO BEM”, o pensamento é tudo que temos. Sem ele, sequer somos alguma coisa, pois não teríamos essa condição única para os seres humanos: a consciência. E sem a nossa consciência, o que somos? Somos nada e ninguém.
O paradoxo da liberdade aprisionada e outros paradoxos.
O pensamento está sempre limitado pelos processos biológicos que o comandam e o restringem dentro do cérebro de cada um, e ainda, dentro da caixa craniana. Ele também estará limitado por inúmeras outras circunstâncias pessoais e ambientais. Veja só: apesar de contido em uma prisão inexpugnável, onde ninguém entra e de onde ninguém sai, é nosso único domínio de liberdade absoluta. Isso me lembra o saudoso Millôr Fernandes: “LIVRE PENSAR É SÓ PENSAR”.
Não é paradoxal pensar que a única liberdade verdadeiramente absoluta, sem rédeas e sem fronteiras, esteja em uma masmorra?
Não é esse o único paradoxo do pensamento, devem existir milhares.
Embora seja silencioso e necessite de quietude para se realizar, o pensamento é dotado de múltiplos sons, é buliçoso e inquieto como uma criança. Tais sons e vivacidade podem atravessar essa insondável barreira de silêncio e atingir o mundo real sob muitas formas. Pense nisso e ouça uma música de que goste. Em um simples pensamento não há luzes, formas nem cores (que são condições do universo sensível), entretanto, observe uma obra de arte, aprecie o pôr do sol ou passeie pelo centro de uma grande cidade. Tudo que atinge os seus sentidos são apenas formas de expressão dos pensamentos de um ou de vários seres humanos.
Pensamento e realidade
A frase grifada acima pode provocar certa indignação: se tudo é pensamento, o que dizer de um vulcão ou do sistema solar? Há que se esclarecer, mas antes lanço uma dúvida e a coloco também em negrito: se a realidade não é observada, ela existe? Pense nisso.
Cultivando o hábito.
Pensar é inato. Podemos aprender sem que nos ensinem, basta observar o desenvolvimento de uma criança antes da idade escolar: ela aprende observando, imitando e se espantando com o mundo real. Na vida adulta podemos perder esse método. A luta pela sobrevivência chama a nossa atenção para situações mais urgentes. Quantas vezes ficamos impedidos de pensar, apenas respondendo a estímulos urgentes da complexa realidade atual?
Embora não seja tão simples como parece, podemos desenvolver certos hábitos que ajudam a pensar e aprimorar o nosso pensamento: leitura atenta e profunda; diálogos com pessoas de opiniões diferentes da nossa; ociosidade criativa e a escrita (escrever pensamentos ajuda a organizar o caos interno em cada um de nós)
O Ato de Pensar: um ato libertador.
Talvez a única condição de liberdade irrestrita de um ser humano seja o ato de pensar. Não há amarras ou constrangimentos, não é sequestrável por qualquer pessoa ou instituição. Pensar é construir a realidade, a nossa e a dos outros. Isso não quer dizer que podemos expressar nossos pensamentos com a mesma liberdade com a qual os criamos. É preciso ter em mente que pensamentos podem transformar a realidade própria e a alheia, há que se ter responsabilidade sobre os efeitos que pensamentos expressos possam causar.
PENSE NISSO.
Um abraço e até o próximo.
Marco Cotrim.
agosto/25
Conversa
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