Olá, pessoal
Este Blog é de literatura, mas hoje vamos misturar as coisas.
Outro dia falei sobre o olhar do escritor, disse que é muito parecido com o olhar do filósofo. Pois bem, hoje falo sobre o olhar do filósofo. Nada melhor para ilustrar este assunto que a imagem da Alegoria da Caverna, que talvez seja o tema filosófico mais conhecido de todos: os homens, prisioneiros em uma caverna, só conseguem ver o mundo por meio das sombras projetadas por uma fogueira às suas costas. Um deles foge e vê a beleza do mundo real, iluminado pelo sol. Volta à caverna e conta o que viu, mas não é compreendido pelos antigos companheiros.
Esta alegoria ou metáfora mostra o quê? Pessoas pensando que aquilo que veem é a realidade, pois é a única coisa que conhecem. Quando o companheiro que havia escapado volta à caverna e conta o que viu lá fora, ele é desacreditado, tomam-no por louco e não lhe dão ouvidos. Entretanto, essa história mostra muitas coisas mais. Em primeiro lugar, estabelece um marco sobre Platão e sua teoria das ideias, mostra a dualidade entre o que é conhecido por meio dos sentidos e o que é conhecido por meio das ideias.
Será que as coisas são tão simples quanto imaginamos, será que é tudo tão natural? Sempre foi assim, então é óbvio que deve ser assim mesmo. Será?
Sempre estivemos na escuridão da caverna e agora aparece um louco tentando nos cegar com a luz do sol e nos embriagar com as maravilhas que ele diz ter visto. É óbvio que isto é mentira e ele quer nos confundir. O que ele nos conta sobre o exterior da caverna contraria tudo a que estamos acostumados.
Neste ponto, já podemos fazer uma analogia entre a Filosofia e a Literatura: ambas podem olhar a realidade com um olhar diferente do comum e seus olhares se parecem. Nada é incontestável, para qualquer lado que nos virarmos, podemos ver algo além do comum. Não é porque “sempre foi assim, que, obrigatoriamente, sempre será assim”.
E para que serviria isso tudo no mundo de hoje? Talvez a reflexão nunca tenha feito tanta falta, talvez o mundo atual seja o terreno mais fértil para brincar com pensamentos, deixar os cânones acadêmicos e adotar a filosofia e a literatura como atitudes perante a vida.
E nós podemos utilizar a Filosofia fora da academia com risco de falarmos besteiras homéricas? Claro que sim e vale o risco. Ora, se pudermos fazer reflexões filosóficas em casa, podemos tentar outras formas de ver o mundo e talvez mudá-lo, um pouco que seja. Quem sabe? Também podemos, sendo mais modestos, mudar apenas nós mesmos, nossa forma de viver, nossa interação com as pessoas próximas e mais um monte de coisas. Quem sabe? Pense um pouco e tire suas próprias conclusões.
Talvez tenhamos chegado a um impasse: uma atitude filosófica perante a vida até que é compreensível, afinal, pensar um pouco não pode trazer grandes problemas (observe que a palavra usada foi “pensar”. Isso é diferente de “dizer a todos o que se pensou”, que pode ser, talvez, perigoso). Em contraponto, não é tão simples imaginar uma “atitude literária”, como seria isto? Deixo a questão, se lhe aprouver, pense a respeito.
Um abraço.
Taubaté, fevereiro de 2025.
Conversa
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