Escrita Criativa

A linguagem nebulosa dos trapaceiros (Ezra Pound)

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Ezra Pound (Hailey-USA, 1885 / Veneza-Itália, 1972) foi um poeta e crítico literário americano de volumosa obra. Na primeira metade do século XX, viveu na Europa, conviveu e colaborou com muitos escritores importantes da época. Além da vasta obra literária, ele também escreveu sobre a arte de escrever e nos deixou o clássico ABC da Literatura (Editora Cultrix – tradução de Augusto de Campos e José Paulo Paes, 1989).

Este artigo, apesar de mencionar Ezra Pound no início, não trata desse autor ou da sua obra (falta-me a competência necessária para isso), trata-se de comentar a expressão do título, que está entre aspas por ser uma expressão retirada do livro citado. No capítulo 2 – O que é literatura, encontramos os seguintes conceitos:

“Literatura é linguagem carregada de significado. Grande literatura é linguagem carregada de significado até o máximo grau possível.”

Mais adiante, no texto do seu livro, Ezra Pound nos ensina que os significados das palavras não são precisos e dependem de fatores variados:

“CONTUDO, as palavras ainda são carregadas de significado principalmente por três modos: fanopeia, melopeia, logopeia. Usamos uma palavra para lançar uma imagem visual na imaginação do leitor ou a saturamos de um som ou usamos grupos de palavras para obter esse efeito.”
(palavras textuais do livro citado, página 41 – grifei)

Diante da fanopeia, da melopeia e da logopeia, corri ao dicionário Houaiss eletrônico e busquei o socorro:

Fanopeia – substantivo feminino.
(literatura) em poesia, estimulação de associações intelectuais e emocionais de beleza por meio de palavras sugestivas de imagens visuais.

Melopeia – substantivo feminino.
toada, cantiga de melodia simples e monótona, ger. melancólica; cantilena.
(literatura) em poesia, para Ezra Pound (1885-1972), estimulação de associações intelectuais e emocionais através do som e do ritmo da fala.

Logopeia – substantivo feminino.
em poesia, estimulação de associações intelectuais e emocionais pelo uso da palavra cujo sentido vai além do que denotam genericamente, em dinâmica com o contexto em que estão inseridas.

Traduzindo, direta e simplesmente, os conceitos acima: a literatura é feita de imagens, sons e palavras.

Finalizo com a expressão do título deste artigo, retirada do capítulo dois do mesmo livro citado acima, no qual Ezra Pound trata da importância social da linguagem e da literatura como forma de linguagem. Ele diz ainda:

“Os bons escritores são aqueles que mantêm a linguagem eficiente. Quer dizer, que mantêm a sua precisão, a sua clareza.”

“A linguagem nebulosa dos trapaceiros serve apenas a objetivos temporários.”

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