Prosa

Trecho de Terras do sem-fim, de Jorge Amado

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DE ONDE VINHA MESMO AQUELE PINICAR DE VIOLA NA NOITE SEM LUA? Era uma canção triste, uma melodia nostálgica que falava em morte. Sinhô Badaró não se demorara nunca em refletir sobre a tristeza das músicas e das letras das melodias que cantavam, na terra do cacau, os negros, os mulatos e os brancos trabalhadores. Mas agora, trotando no seu cavalo negro, ele sentia que a música o penetrava e se recordou, não sabe por que, daquelas figuras do quadro que enfeitava a sala da sua casa-grande. A música devia vir de dentro de uma roça, de uma casa qualquer, perdida nos cacaueiros. Era uma voz de homem que cantava, Sinhô não sabia por que os negros perdiam uma parte da noite pinicando os violões quando era tão curto o tempo que tinham para dormir.

Amado, Jorge. Terras do sem-fim (Portuguese Edition) (p. 228). Companhia das Letras. Edição do Kindle.

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