Poesia

Soneto da era do desespero

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Tudo está certo, cada coisa em seu lugar.
Crianças bem loiras e seus sorrisos francos.
Não existem problemas, nem aqui nem lá.
Olhos azuis são belos sob capuzes brancos.

Nunca fomos tão saudáveis e tão longevos.
Liberdade obtida em retumbante brado.
Diferente do mundo pobre do medievo.
Somos ricos, somos livres, civilizados.

Hospedeira abatida, sambista sem ginga.
Nosso jeitinho vira fera e nos devora.
Natureza irada, a cada hora se vinga.

Há guerras, mas cirúrgicas, feitas com arte.
E o castigo vem a cavalo, sem demora.
Mãe-terra cansada. Só nos resta ir pra Marte!

Feito com carinho e desespero.

Marco Cotrim.

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