O Mito de Prometeu: O Titã que Desafiou os Deuses

CRÉDITOS DA IMAGEM: Prometheus bound to a rock, his liver eaten by an eagle. Crayon manner print. Wellcome Collection / Wellcome Trust. Licenciada sob Creative Commons Attribution 4.0 International (CC BY 4.0). Fonte/Fotógrafo – Este arquivo de imagem é livre de direitos autorais
Os Titãs eram os deuses primordiais da Mitologia Grega e Prometeu era um deles. Filho de Urano (céu) e Gaia (terra).
Para os gregos antigos, ele representava o espírito de rebeldia, a confiança na razão e no poder transformador da técnica. Até hoje, continua representando a inconformidade contra a opressão e a luta pela civilização. O mito de Prometeu nos remete a sacrifício e busca pelo conhecimento.
Conta o mito que Prometeu sacrificou sua liberdade em nome da humanidade. Em determinado sacrifício, ofereceu a Zeus alguns ossos e deu a carne aos humanos. Como punição, Zeus retirou o fogo da humanidade e a privou de qualquer progresso e da própria sobrevivência. Prometeu subiu ao Olimpo, roubou o fogo e o entregou aos homens, possibilitando o desenvolvimento da técnica, da cultura e da civilização.
O castigo veio a seguir.
Prometeu foi acorrentado a uma montanha e todos os dias um abutre devorava o seu fígado, que se regenerava à noite, perpetuando o suplício.
Assim, o mito de Prometeu transcende o tempo e permanece atual. Ele nos convida a refletir sobre os limites entre o poder e a rebeldia, a importância do conhecimento e os riscos do progresso. Prometeu é, em essência, a personificação da busca humana pela liberdade e pela superação de limites, mesmo diante das consequências inevitáveis que isso acarreta. No Renascimento, tornou-se símbolo do humanismo e da confiança na razão. No romantismo, foi exaltado como herói trágico, aquele que sacrifica a própria liberdade em nome da humanidade.
Até este momento, temos o resumo de um mito bastante conhecido: Prometeu paga caro por sua desobediência a Zeus e o abutre devora seu fígado todos os dias. À noite, o fígado se regenera. Aqui, surge uma dúvida que continua não respondida: como os antigos conheciam a enorme capacidade regenerativa do fígado?
O fígado é um campeão de capacidade regenerativa, até setenta por cento do órgão pode ser recuperado após lesões (um trauma, p. ex.), desde que não esteja afetado por doença grave. O órgão recupera rapidamente (semanas) sua complexa arquitetura e suas funções. Todos sabemos que é possível o transplante do fígado entre vivos — tira-se um pedaço do órgão do doador, que se recuperará em algumas semanas. O que me intriga nesse mito é o fato de ser o único órgão compatível com a história contada. Claro que o fígado não se regenera em uma noite e se o abutre se alimentasse só do fígado de Prometeu, morreria de fome. Entretanto, nenhum outro órgão daria tanta verossimilhança ao mito. Como os antigos sabiam disso?