Há muitos anos, estava eu voando sobre a Amazônia em uma das muitas viagens de trabalho e a pessoa ao lado começou a conversar: uma jovem inglesa, de vinte e poucos anos, que voltava de algum projeto ambiental no interior da floresta.
Naquele tempo, eu me comunicava em inglês, hoje em dia, mal falo português, já me faltam palavras e memória. Embora continue tentando postergar a demência, as memórias se vão lentamente, as boas e as ruins.
Pois bem, a jovem começou a falar da sua estada junto aos índios e tal. Eu me preparei; como velho baiano, acostumado a ouvir bobagens; conferi minhas armas e entrei em prontidão. Caso viesse com papo esnobe, eu já estava pronto a perguntar-lhe: você sabe de onde veio o luxo da city londrina, my dear girl? Sabe de onde vieram todas as riquezas do império onde o sol sempre brilhava? Vieram do mesmo lugar de onde vieram a glória e o poder de qualquer império colonial: do sofrimento, do suor e do sangue de gente oprimida.
A guerra não foi necessária; conversamos, educadamente, por um par de horas.
Ao final, convidei-a a passar um dia conosco, conhecer minha cidade, minha mulher e meus filhos. Não aceitou.
Ao chegar, inocentemente, contei o episódio à minha mulher, que fez a seguinte observação: foi bom ela não ter aceitado o convite, poupou-me o trabalho de expulsá-los.
Conversa
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