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A Hora da Estrela

2 min de leitura

A Hora da Estrela – Clarice Lispector Rocco Digital. Edição do Kindle – 2019.

Edição digital: novembro, 2020. Primeira edição digital: março, 2013.

Este livro narra a história de Macabéa, jovem nordestina que migrou para o Rio de Janeiro. A trama é desenvolvida por Rodrigo S. M. (talvez este narrador seja alter ego de Clarice Lispector).

Macabéa é datilógrafa (único curso que concluiu). Datilografa mal, mas seu chefe a mantém no emprego (falta-lhe coragem para despedi-la, tem pena dela)

Ela que deveria ter ficado no sertão de Alagoas com vestido de chita e sem nenhuma datilografia, já que escrevia tão mal, só tinha até o terceiro ano primário. Por ser ignorante era obrigada na datilografia a copiar lentamente letra por letra – a tia é que lhe dera um curso ralo de como bater à máquina. E a moça ganhara uma dignidade: era enfim datilógrafa. Embora, ao que parece, não aprovasse na linguagem duas consoantes juntas e copiava a letra linda e redonda do amado chefe a palavra “designar” de modo como em língua falada diria: “desiguinar.

Seu Raimundo, chefe do escritório onde trabalham Macabéa e sua colega – e inicialmente amiga – Glória, quer demiti-la, mas recua com pena.”

(Lispector, Clarice. A hora da estrela (Portuguese Edition) (pp. 11-12). Rocco Digital. Edição do Kindle.)

No livro, Clarice disseca a alma de qualquer pessoa excluída, cuja vida é marcada pela indiferença, própria e dos outros. Macabéa não tem consciência da sua existência como ser humano, sua natureza não muda ao longo do livro. A simplicidade da sua alma e a vulnerabilidade da sua pessoa causam constrangimento em certos trechos do livro. Por exemplo: “A datilógrafa vivia numa espécie de atordoado nimbo, entre céu e inferno. Nunca pensara em “eu sou eu”. Acho que julgava não ter direito, ela era um acaso. Um feto jogado na lata de lixo embrulhado em um jornal. Há milhares como ela? Sim, e que são apenas um acaso.”Lispector, Clarice. A hora da estrela (Portuguese Edition) (p. 31). Rocco Digital. Edição do Kindle.

Para terminar este comentário: não falo do final (claro). Digo apenas que é um final surpreendente, alcançável apenas por escritores de alma densa e pena ágil, como foi Clarice.

Boa leitura.

Marco Cotrim

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