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As Consolações da Filosofia, de Alain de Botton

2 min de leitura

Há algum tempo escrevi, na seção Café com letras deste blog, algo relativo à inutilidade da filosofia e da literatura. Fiz algumas perguntas (retóricas) incômodas. A última foi algo assim? Qual a utilidade disso tudo (eu falava da atitude filosófica)? Respondi: “A resposta é simples: isto não tem significado nem utilidade. Assim como a literatura, a filosofia também é inútil. Não se ganha dinheiro e corre-se o risco de sair desses questionamentos com uma leve depressão.”

Utilitarismo é uma palavra que não se aplica à filosofia, mas nem por isso ela deixa de nos ajudar em muitas situações. Isso ocorre com o livro “As Consolações da Filosofia”;

Li em uma resenha desse livro´. “Há um risco evidente em qualquer livro que se proponha a tornar a filosofia “útil”: o de rebaixá-la a manual de autoajuda com verniz erudito. Alain de Botton flerta com esse risco do primeiro ao último capítulo — e, na maior parte do tempo, escapa dele, não por evitar a simplificação, mas por assumi-la com honestidade e estilo.

Esse foi um dos motivos por que mais gostei de ler o Allain de Botton. É uma linguagem simples e tem o verniz erudito, mas nunca poderíamos tratá-lo como manual de autoajuda. Aliás, o autor não o propõe como autoajuda nem como um tratado de filosofia. Trata-se de um livro simples sobre filosofia e de algumas consolações que dela podemos tirar.

Mais adiante, o autor da resenha reconhece o valor do livro e escreve: “O livro tende a limar as arestas mais desconfortáveis de cada filósofo em favor de uma lição extraível, aplicável, quase terapêutica.

Isso não invalida o projeto — apenas revela sua natureza. As Consolações da Filosofia não é um livro de filosofia; é um livro sobre a possibilidade de que a filosofia ainda sirva para alguma coisa na vida de quem não é filósofo.”

Claramente, não é um livro de filosofia, é um livro para leigos, no qual o autor dá uma pincelada biográfica no filósofo citado e mostra algumas formas de a filosofia nos consolar.

Gostei muito.

Marco Cotrim
Agosto/2026

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