Poesia

Soneto do tempo passado

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Por onde andará o tempo que já passou?
Sumiu? Ficou no antes, voltará depois?
Cortou o espaço sem barulho, sem rumor.
Quem o tirou de nós, fez troça. Onde o pôs?

Fugiu, disfarçado como camaleão.
Durou um ano cada minuto de dor.
Ficou lá atrás, onde os sonhos já não estão.
Guardei-o na memória de quem já não sou.

Talvez esteja no apressado adolescente
que se aborrece de repente e não espera,
que corre atrás da vida tão avidamente.

Jovens não o têm. Quem tem tempo não prospera.
Velhos já o perderam nos desvãos da mente.
Ninguém o guardou, restou apenas quimera.

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