Poesia

Soneto Da Desilusão

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Parece uma assassina que assina seu nome
em um prato de sopa rala, e gelada,
servida com desprezo e um grito: come.
Não tem pão, e não tem grão, e não tem mais nada.

Pela manhã, de desânimo, se traveste.
Meio-dia põe carapuça de cinismo.
Fim da tarde: passa perfume, flor silvestre.
Anoitece. Tudo é brilho, tudo hedonismo.

A semente já não está em chão fecundo.
Degenerou, secou, alguém lhe deu sumiço
e tudo que restou foi abismo profundo.

Eis que a noite passa e a morte abraça o viço,
devora a alma, o riso, consome o mundo.
Dissolve a alegria, encerra o feitiço.

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