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O baile

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Era a primeira vez no baile da Penha, ficaram chocadas com o espetáculo. Palco gigante, banda, DJ, som bacana e música sensual a penetrar pelos ouvidos, pelos olhos, pela pele. Som pesado, envolvente; dá vontade de se enrolar nele. Batidas graves e potentes. Não há espaço entre as pessoas, pode-se dançar de olhos fechados, sem medo de cair.

Nádia eleva os braços, abre o sorriso, fecha os olhos e se derrete em música. O DJ aprofunda os graves e faz o chão tremer; por alguns segundos, ouve-se apenas a percussão. Ela sente as vibrações, cada batida exerce leve pressão na pele. De repente, silêncio. A multidão estancou, como se aquilo fizesse parte do show, lembrou a brincadeira de estátua. Nesse momento, a guitarra emite notas muito longas e agudas para a entrada do vocalista:

Ela sente algo quente e úmido tocar sua nuca, mas não identificou. Em um instante, foi envolvida pelas costas por braços estranhos, a mão se fechou sobre o seu peito e ela se deu conta: alguém tentava uns apertos, sem permissão. Pega Sandrinha pela mão e escapa do local. No caminho, um casal protagoniza uma cena bizarra: a moça suspendeu a parca saia de malha até a cintura e, abraçada a um garoto, dança e gira sua calcinha como um troféu.

Acomodam-se perto do palco, são notadas pelos rapazes da banda e convidadas a subir. A excitação é grande, não há acanhamento capaz de resistir. Um dos rapazes estendeu sua mão e as ajudou a subir os últimos degraus da escada até o palco. Dançam. Ela se excita, molha-se, não apenas de suor. Entra em transe quando o rapaz a abraça, levanta-a do chão e rodopia até a vertigem. Coloca-a de novo no chão, beija sua boca e despede-se com uma lambida em sua barriga. A multidão delirou com a performance sensual. Sandrinha, imersa na música, dançava a coreografia ao lado do DJ.

Êh, gostosa, vamos lá em casa pra uma putaria!
Vem aqui mexe sua bundinha, mexe, remexe pra mim!
Sou seu chefinho, senta aqui, gostosa. Mexe a bunda!

Passado o show por elas estrelado, descem do palco e cedem espaço a outras moças escolhidas na plateia. O DJ já tinha outros objetos de atenção e fazia seu marketing ao estilo funk ostentação: dinheiro, mulheres, drogas e carrões.

Ao final de quatro horas de danças e aventuras, as duas amigas resolvem ir embora sozinhas, duas horas de ônibus de volta ao Morro dos Macacos.

Aí, gostosa
Põe a bunda aqui no chão
Vem, vem,
senta aqui, no colinho do patrão.

Bunda no chão, bunda no chão, bunda no chão.
Me dá seu coração,
Me dá seu coração…

Sai, rapá
Deixa a gostosa passar
Pra entrar no meu carrão.
Vem, vem, vem…

Aperta um, me passa a baga,
Que é pra sentir o cheiro da quebrada.

Rebola e rola…
Rebola e rola…
Ah! Ah! Ah!
Rebola e rola…
Rebola e rola.

—Tu não para mais de cantarolar a música, Nádia?

—Pois é, dá o maior tesão. Sabe quando gruda na cabeça?

Chegaram.

O domingo amanhecia.

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