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Marco Cotrim — Escritor


Palavras que não deixam sossegar

Palavras que vivem
entre a memória
e a imaginação

74 anos de vida escritos em cadernos, tecidos em ficção. Histórias que surgem da realidade e a transcendem — para quem não teme ser tirado da zona de conforto.


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 Mistura entre ficção e realidade com a leveza de quem já aprendeu que a fronteira entre as duas coisas é muito mais tênue do que parece.
— sobre Marco Cotrim

A arte de criar mundos

Imagine que você começou a ler um romance policial, anunciado como a história da investigação de uma família rica, logo após a morte do patriarca. A contracapa do romance diz que um herdeiro desconhecido foi assassinado e o astuto detetive Sherlóquisson Alves Guimarães Pereira foi contratado para desvendar o crime.

A história se passa na década de 70 do século XX e começa assim:

Sherlóquisson, velho conhecido da polícia, transitava pela cena do crime com desenvoltura. Era um quarto de hotel de quinta categoria na Alameda Cleveland, nas imediações da antiga Estação Rodoviária de São Paulo. O morto estava deitado de bruços, próximo à cama, e apresentava um ferimento na nuca. O detetive concentrava sua atenção em uma pequena poça de sangue e no vaso quebrado ao lado do corpo. Retirou o celular da sua bolsa a tiracolo e começou a fotografar a cena…

Há alguma coisa errada aqui… É UM ERRO QUANTO À VEROSSIMILHANÇA.

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Uma conversa sobre a consciência: Quem é você?

Há algum tempo propus um exercício de filosofia: olhar-se no espelho, logo de manhã e se perguntar — Quem sou eu? 

Hoje levo esta questão um pouco mais longe. 

Acordei imprudente. 

Sem ser filósofo, linguista ou neurocientista, atrevo-me a falar sobre “consciência” — esse mistério que ronda nossos dias e noites. Tenho uma atenuante: isto é apenas uma conversa. Não pretendo ensinar nada, e aceito com humildade qualquer crítica, correção ou discordância.

O tema me ronda há anos — e ganhou urgência ao acompanhar, de perto, um familiar afetado pela demência. Entre medos, fantasias e delírios, chegamos a uma conclusão (aqui em casa): “o mundo é a consciência que se tem dele”.

O que é “consciência”, afinal?

Segundo o dicionário Houaiss:

consciência 

substantivo feminino

1 – sentimento ou conhecimento que permite ao ser humano vivenciar, experimentar ou compreender aspectos ou a totalidade do seu mundo interior.

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Guichê de achados
e perdidos

— Bom dia! O que buscas, meu jovem?

— Minha identidade.

— E qual é o teu nome?

— BRASIL.

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O Mito De Ícaro

O MITO
Ícaro era filho de Dédalo, arquiteto ateniense e construtor do Labirinto de Creta para o rei Minos (esse labirinto já foi mencionado aqui no blog – veja o artigo “O fio de Ariadne”: é o labirinto onde o rei Minos prendeu o Minotauro – monstro devorador de seres humanos.)
Terminado o labirinto, Dédalo foi impedido de deixar a ilha e acabou prisioneiro, junto com o filho.

Sem possibilidade de fuga por terra ou por mar, Dédalo voltou-se para o céu e se imaginou voando como os pássaros. Construiu asas com penas de aves unidas por fios e cera.

Antes de partir advertiu o filho para que não voasse baixo demais, pois a umidade pesaria nas asas e ele cairia no mar. Também não poderia voar muito alto, pois o calor do sol derreteria a cera das asas e o destino seria o mesmo: a queda no mar. 

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Soneto da Casa

Uma casa não é feita só de tijolos
sobrepostos, camadas de ferro e argamassa.
Tem alegrias celebradas com cachaça,
tem rusgas, e tem abraços, e torcicolos.

Uma casa não é feita só de madeira.
Aparelhada com verniz e esquadrias.
Tem desespero, lamentos e noites frias,
tem pessoas que perderam as estribeiras.

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Trecho de Terras do sem-fim, de Jorge Amado

DE ONDE VINHA MESMO AQUELE PINICAR DE VIOLA NA NOITE SEM LUA? Era uma canção triste, uma melodia nostálgica que falava em morte. Sinhô Badaró não se demorara nunca em refletir sobre a tristeza das músicas e das letras das melodias que cantavam, na terra do cacau, os negros, os mulatos e os brancos trabalhadores. Mas agora, trotando no seu cavalo negro, ele sentia que a música o penetrava e se recordou, não sabe por que, daquelas figuras do quadro que enfeitava a sala da sua casa-grande. A música devia vir de dentro de uma roça, de uma casa qualquer, perdida nos cacaueiros. Era uma voz de homem que cantava, Sinhô não sabia por que os negros perdiam uma parte da noite pinicando os violões quando era tão curto o tempo que tinham para dormir.

Amado, Jorge. Terras do sem-fim (Portuguese Edition) (p. 228). Companhia das Letras. Edição do Kindle.

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Como melhorar um texto literário

Se você lida na seara da escrita, sabe que um bom texto não é algo simples de se construir e isso piora quando se trata de ficção. Um bom texto literário exige técnicas que construam narrativas consistentes, que atendam ao propósito de criar boas histórias.

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O que ficou depois
de tudo que foi escrito

Dos cadernos de juventude até as páginas impressas — aqui estão as histórias que sobreviveram ao tempo e ganharam forma de livro.

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Marco Cotrim

Marco Cotrim,
74 anos de histórias.

Mistura entre ficção e realidade com a leveza de quem já aprendeu que a fronteira entre as duas coisas é muito mais tênue do que parece.


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