Teogonia significa “origem dos deuses” e talvez seja a notícia mais antiga sobre mitologia grega. É um poema escrito por Hesíodo no século VIII a C (aproximadamente).
Diz-se que Hesíodo foi contemporâneo de Homero, mas há dúvidas quanto à existência deste último.
Hesíodo não era poeta, mas pastor. Certo dia, pastoreava suas ovelhas nas proximidades do monte Hélicon e quando recebeu sua inspiração diretamente das musas. O próprio poeta conta a história, mais ou menos assim:
Das Musas de Hélica comecemos a cantar,
que a Zeus pai celebram com suas vozes divinas
e encantam seu espírito — no Olimpo nevado
Doce som derramando de límpidos hinos.
Seu canto imortal pelos píncaros tolda
do éter, e o riso de Zeus se derrama,
e o mármore etéreo do palácio ressoa
ao eco das líricas vozes celestes.
O trecho acima reproduzido é o prólogo do poema, que inicia com o verso:
Em primeiro lugar, surgiu Caos
É interessante observar a diferença entre a Teogonia e a cosmogonia da tradição judaica: No princípio, Deus criou os céus e a terra.” (Gênesis 1:1). Hesíodo descreve o Caos, não como desordem, mas o “vazio primordial” que existe antes dos deuses. Para você pensar um pouco, acrescento a seguinte provocação: o caos seria o “nada” do big-bang?
Os próximos versos da Teogonia dizem:
“Primeiro nasceu Caos, depois Gaia de amplo seio,
base eterna para todos os imortais…
e Eros, o mais belo entre os deuses imortais,
que domina corações e dissolve a vontade.”
Com esses três (Caos, Gaia e Eros) já se pode construir o mundo, especialmente aqueles que gostam de escrever.
E a história continua… Gaia, gera (sozinha) Urano, com quem se une para gerar os Titãs e outros seres. Cronos, um dos Titãs, castra o seu pai (Urano) e assume o poder.
Temendo que os seus filhos fizessem consigo o que ele fez com o próprio pai (Urano), Cronos começa a devorá-los. Réia, sua esposa e irmã, esconde o último filho, Zeus, que luta com o pai (Cronos), derrota-o e assume o poder no Olimpo.
A esta altura da Teogonia, não sabemos se é uma tragédia grega ou um “tango argentino” e paramos por aqui para não cansar demais qualquer pessoa que tenha se interessado. Prometo, em um próximo artigo, trazer mais algumas interpretações e alguns resquícios que atravessaram os tempos e permanecem no nosso imaginário.
Um abraço.
Conversa
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