Você se acha velha ou velho? Sente-se invisível? Às vezes, não tem alguém para conversar? Você não está só, nem eu. Há milhões como nós. Poucos amigos, ninguém aparece para nós e nós não aparecemos para eles. Existem as redes sociais e todos têm muitos compromissos, como nós. Parece-me que os espaços de convivência social estão diminuindo, assim como os espaços que deixamos abertos aos outros. Eu vejo isso como um problema e se você também se sente assim, é fácil resolver: leia.
A literatura pode nos fazer companhia, mas não só isso, pode ser muito mais. Pode viajar e nos levar a lugares mágicos, pode fazer companhia na solidão, dialogar conosco. E o diálogo literário, além de qualificado, é um pouco mais simples que o “tête-à-tête”, pois não exige presença física nem contemporaneidade. Sentado em meu sofá, posso dialogar com um autor que passou por aqui há 2.600 anos, ou com uma autora que mora em Fortaleza.
Isso pode ser interessante, entretanto, a literatura pode ser ainda mais agradável. Ela pode nos ensinar a apreciar melhor a nossa própria companhia. E creiam, isto aconteceu comigo. Contarei as histórias em artigos posteriores, pois este é para falar de literatura, em geral.
Você pode não acreditar e achar a literatura totalmente inútil, sem aplicação prática que justifique gastar um dinheiro em livros. Tentarei demonstrar com argumentos, que a literatura, apesar de inútil, pode nos ajudar de várias formas. Ela pode servir para expandir nossos caminhos e amplificar a nossa capacidade de abstração. Isto pode ser de grande valia em alguns momentos desconfortáveis.
Dou um exemplo: gosto de ler desde a juventude e isso já me ajudou quando trabalhei de “office-boy”, há séculos (faz tempo que não há mais office-boys).
Uma fila gigantesca no banco, de aproximados 50 minutos de espera, uma pasta cheia de documentos, pendurada no ombro esquerdo com a alça atravessada no peito e a bolsa do lado direito na altura do quadril (atrapalhava um pouco a gravata única, de nó já pronto, mas facilitava a manipulação dos papéis com a mão direita). Em vez de tristeza pela espera, eu tinha dois motivos para me alegrar: o ar-condicionado do banco e os cinquenta minutos de leitura sossegada que eu teria durante o expediente. É ou não é motivo para ficar feliz?
Se quer experimentar, mas ainda acha que não vale a pena gastar dinheiro em um livro, tenho uma sugestão: compre ebooks, são mais baratos.
Até a próxima. Compre um bom livro e…
Boa viagem.
Conversa
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